
Josias e Muriel não eram irmãos comuns. É, comuns eles não eram mesmo. Sabe como é, essas famílias malucas não criam pessoas normais.
Quando pequenos brigavam pelo sucrilho, pelas moedas no sofá, pela bola mais bonita, pela vitrola quebrada da vó Giselda, pela... enfim, brigavam. E brigavam. Mas se amavam, como se fossem irmãos. Como se fossem irmãos que eram.
Sinto pena de seu velho pai, que sempre tentou mostrar o caminho da paz.
Eram rapazes bonitos, saudáveis e inteligentes. Josias se saiu bem, um advogado importante e dono do seu próprio nariz. Dono também do nariz de outros, mas isso é um mero detalhe. Muriel, com seus dois filhos pequenos, era um cara de sorte. Tinha uma mulher que o amava e uma casa nos Jardins.
Muito tempo depois e a família continuava igual. Sempre juntos, sempre brigando e nunca normais.
Um dia, emocionado, o bom pai lembrou de um velho curta-metragem. Aquele de 72 com Al Pacino e... e... como era mesmo o nome dele? Aquele bonito, de bigode. O... o...
E assim, de A a Z, foram traçados todos os sinais da obsessão.
Natal, ano novo, pascoa e carnaval. Sempre o mesmo assunto. Só sei que o curta mostrava um momento triste e pesado, mas provava que no fundo, no fundo mesmo, o importante é estarem todos bem.
- Depois que eu me for, teu irmão é tudo o que terás. Blablabla, blablabla, blablabla.
Mas a vida seguiu normal.
O fato de seu Maneco ser um cara de muito, muito, muito dinheiro não parecia influenciar a vida dos meninos. Meninos já homens, mas meninos serão sempre meninos. A coisa piorou bastante no hospital. O tempo era curto e a mensagem importante.
- Ninguém vai descobrir o nome do filho da puta? - perguntou o doce velinho.
E ninguém descobriu. Alias, era evidente que o foco mudaria cada vez mais, quanto mais perto do dia da herança. Quero dizer, quanto mais perto do dia da passagem de nosso querido Maneco.
Assim foi, por dois longos meses, a batalha pela mais importante decisão de sua vida. A partilha de todos os bens.
- Pai, disse Josias, desculpe tocar no assunto mas precisamos saber como vamos fazer com os papéis.
- Eu vejo o rosto, filho, vejo o rosto e não lembro o nome.
- Josias, pai.
- Não o seu, imbecil... Do ator.
- Aimeusantodeus...
- Era um curta, um curta com Al Pacino... 1972. Será que fizeram tantos curtas com Al Pacino em 72 que ninguém me descobre a porra do nome do ator?
Era duro, e era triste.
Muriel, sempre mais calmo, atencioso e carinhoso, deixou seu amor pelo pai cegar a sua ambição. Josias estava na frente, ganhando a disputa pela posse da maior industria textil de todo o país. Mas Muriel também estava na frente: seu vocabulário açucarado o deixava com a gigantesca fazenda e as duas casas na praia.
E o velinho... ficava com as dores, o derrame, e raiva da memória perdida.
Como todos sabiam, o grande dia estava para chegar. Mas chegou mais de repente do que qualquer ambição poderia esperar. Era sábado, e lá estava o escrivão. Com os irmão ao seu lado, fez, enfim, a pergunta final.
- Seu Maneco, é com o coração nas mãos que lhe apresento a pergunta definitiva, mas que traçará o futuro de todos os seus descendentes. Com quem ficará a empresa, a fazenda, a conta nas Bahamas e as casas no Sauípe?
- Ah! - disse o velho com todo o ar que restava em seus enfraquecidos pulmões. - Mar... Marlon, gaguejou. Marlon Brando!!!
"Piiiiiiiiiiiiiiii" quebrava o silêncio até a entrada desesperada do médico e enfermeiros.
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Texto by Fastolf.b
Foto da foto por Fastolf.b alterada da original de F.F. Coppola e Gordon Willis

Putz...
coitados do Josias e do Muriel. Pior que o Marlon Brando já morreu. Os herdeiros dele que herdarão a industria do Maneco. hahahahahha!
Ai que sinistrooo Diiiii!!!hahaha
Beijoooo
Seu matador de velhinhos! :(
tinha que morrer alguem ne!
tb quero morrer falando nome de gente de cinema :)
ai que delíciaaaaaaaaaaaaa entrar aqui e ter coisa nova!!!
.
adorei, prezado fastolf! e tenho medo das suas pequenas células cinzentas!
Nussss
Realmente, lembrar do nome do Brando é algo crucial... Mr. Marlon Brando povoa minha imgainação desde sempre, é bem capaz de eu chamar por ele na hora de minha morte! Só espero deixar um testamento decente pros meus filhos não morrerem de fome! haha
Beijoooos!
Hummm
AMEI o template novo, ja falei ne!? O cabelo é o melhor!
Beijos!
P.S.: AMEI os comentarios do jeito que estão!
Olha que lindo...
Na hora de escrever é pop up sim, bobão!!!
Cadê o crédito para a fotógrafa do cabelo?????
adorei o novo layout!
mas me explica... que foto é essa de cabelo?
nuintindi!
mas prezado fastolf...
quê cabelo?
.
juro que fiquei procurando, cadê o cabelo? do post abaixo?
hein, hein???
ahahahahahahaha
achei!
ahahahahahaha
hahahahaha e a briga dos dois continua...
nessa hora eu gostaria muito de ser mais velha, e ter contracenado um curta com Al Pacino em 72!hahahahahaha.
Adorei, vale a pena esperar!rsrs
beijo.