
- One for the lady and a double house special for me! - falei debruçado no balcão, sem olhar para cara feia do bartender sujo.
É, eu sei, sempre fui meio rock 'n roll. Em todas as minhas 8 vidas, em todos os meus 8 nomes.
Acho que até hoje não perdi o meu espírito aventureiro. Devo confessar que tive prazer a cada história contada, não me arrependi de nenhuma cicatriz e minha bagagem de lembranças, graças a deus, é bem maior do que a de roupas.
Gostei de me conhecer em cada meia verdade. Florida, Mississippi, Hungria, Croacia, Alaska, Hawaii, Porto Alegre e Inglaterra.
E sempre a mesma frase de efeito: "Don't worry, honey, I'll see you around".
Engraçado como isso sempre funciona... O estrangeiro bacana, uma menina linda e um fortinho babaca. Nada mais fácil do que conquistar com a bondade.
Vou dizer que a vida de andarilho traz algumas vantagens. Já fui atleta, vendedor, empresário, traficante, mauricinho e vagabundo. Se é que você me entende...
Me despedia sempre com um grande sorriso e com a satisfação da conquista dos 3 elementos chaves na vida de um homem:
Um pouco de dinheiro, o coração de uma bela dama, e uma boa confusão.
Ahh, e respeito, mas isso é conseqüência dos itens acima.
Já cheio de mim mesmo, e pomposo de experiência, parti para o Missouri. Um belo estado em um belo país.
Meus alvos sempre foram as cidades pequenas, mais facíl de ficar longe das complicadas tentações. E você sabe o que dizem... Quanto mais difícil o desafio, melhor o prêmio é.
Bem, me contento com coisas pequenas... Desde que em grandes quantidades!
Lá não escolhi uma profissão. Não contei histórias e não sorri para garçonetes. Preferi ser apenas gentil, o que já não fazia, ha muito tempo, de tanto me preocupar em disfarçar uma ocupação.
Depois de varias linhas de blablabla, conheci Helen. E depois de varias outras descobri que seu namorado era o xerife da cidade.
É engraçado reparar o que a simpatia faz com o coração de uma bonita donzela. Eu ouvi, conversei, discordei e aconselhei.
Em pouco tempo percebi o quanto era difícil olhar para aqueles olhos azuis e não querer ficar. Mais difícil ainda era pular a janela e o muro com peças de roupa na mão.
Apenas olhei e sorri em todas as ameaças que recebi. Se ele fosse um homem de palavra, uma hora dessas, eu já estaria desdentado, aleijado e morto. Pelo menos umas quatro vezes. Cada...
Pois bem, como dinheiro é o mais fácil dos itens, já poderia considerar minha saída carimbada.
Já em tempo de correr, Helen me chamou para um papo importante em um barzinho de beira de estrada. Neste caso, até você sabe que o álcool seria necessário...
Me contou, impaciente, seu mirabolante plano de assassinar o xerife e fugir. E olha que assassino era inédito na minha lista de profissões. E eu nem pretendia ser.
Ouvi, como sempre, com a maior das atenções. Olhei no fundo dos seus olhos, beijei o cantinho de sua boca, disse minha frase favorita, levantei e saí.
Coitadinha, nem se mexeu.
Assim que passei da porta senti uma mão pesada no meu ombro. E não era o tradicional desespero me implorando para ficar.
Parei sem nem virar para trás.
- Hey Elvis, are you running away? What are you scared of? Hum? - disse o xerife.
Nem assim eu virei.
- I'm scared cause I have no fear! - respondi.
Hoje moro na Califórnia, mas parei com as aventuras... Helen não gosta muito de viajar...
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Texto e Foto por Fastolf Brambel, em uma de minhas vidas...

Sutilmente lhe toquei a mão enquanto servia o vinho.
Difícilmente desviava meus olhos dos seus. Mesmo quando reparava, com aquela minha famosa discrição, em seu decote encantador e ao mesmo tempo agressivo.
Elogiei, expontanemente, seu cabelo charmoso que as vezes lhe escondia o olhar. Sempre gostei de como fica sem graça quando reparo em você.
Junto a goles pequenos e risadas levianas conversamos sobre Monet, Godard, Clinton e roquefort. Apreciava, juro que apreciava, o suave aroma de eucaliptus que queimava na sala de estar. Afinal, somo finos, cultos e educados.
Era com muito respeito que sorria enquanto falava. Ouvia entusiasmado o seu tom bem humorado e suas interpretações teatrais.
Foi com carinho que interrompi, enquanto franzia as sombrancelhas, para comentar a incrível beleza de seus olhos azuis refletindo, tão calorozamente, o doce amarelo do fogo intenso que esquentava o nosso jantar.
Enrolava com elgogios imprevisíveis enquanto, tanto eu quanto você, sabiamos que meus desejos não passavam de nossas roupas jogadas em um sofá enquanto nossos corpos se aqueciam sobre o outro.
Muito mais simples. Muito menos sutil.
Queria simplismente satisfazer meu desejo animal. Como você. Aminal como você.
Acabamos, quase sem querer, encenando aquele grande ritual onde falamos e rimos. Eu finjo estar interessado e você finge estar encantada. Como se tudo acabasse com um telefonema amanhã. Como se não fossemos selvagens e gulosos, como se não fossemos somente animais.
Assim eu pergunto: Estaria o ser humano perdendo os seus instintos?
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Fotos e textos por Fastolf.b

Ontem recebi uma ligação muito esquisita.
Fique até um pouco assustado, a princípio, mas logo vi que se tratava de um trote.
Acabei lembrando de quando eramos crianças, cheios de disposição para coisas inúteis e cheio de preguiça para coisas que pudessem ser aproveitadas na facilitação do dia de nossos pais...
Engraçado mesmo é o fato de as coisas terem invertido os papeis. Me pego cobrando utilidade na ação dos outros e esquecendo de fazer coisas que divirtam o meu espírito infantil. Tenho saudade de ser criança... Fazer coisas sem sentido, sabe? Para mudar a rotina.
E aí, tudo bem com você?
Alô? Alô?
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Foto e texto, Fastolf.b

Oi, desculpe a pressa, não consigo nem pensar direito ultimamente. Mas nem da para reclamar, só a cabeça que não acompanha, pelo menos no início, você sabe. Acabo me sentindo um pouco sozinho nessa terra de gente maluca.
Mas bem, vi uma cena linda na tarde de ontem. Um homem de terno e gravata esperava impaciente na frente de uma banquinha, ali dentro do parque do Retiro. Celular numa mão e a outra no bolso. De repente vem uma moça jovem, bonita, de mochila nas costas. Ele abriu um sorriso e a cumprimentou. Ela continuou séria, com aquela cara de cansada. Aí eu já estava até prestando atenção no sol que refletia na banquinha e iluminava aquela cara de sem jeito do rapaz preocupado. Se encararam por alguns eternos segundos até que ela o abraçou com força e com um sorriso maior do que o dele, cheio de carinho. Ele até derrubou o celular, já que não sabia se tirava a mão do bolso, se guardava a outra no outro, ou se abraçava a rapariga.
Bela cena. Para essa cidade de malucos.
Ainda bem que não sou assim.
Bjo
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Foto de Fastolf.b
O texto era um dos finados random scraps, também por Mr. F.Brambel

Recebi a doce visita de um anjo.
Uma visita um tanto ou quanto inusitada, confesso. Realmente não esperava a sua chegada. Em meio ao frio tenebroso e ao leve cheiro de rosas fui sutilmente forçado a lembrar de inumeros momentos da minha curta e recheada trajetoria.
Sei que a decisão não cabia à ele(a), mas o califrio da duvida não é tão bem-vindo quando não se sabe aonde vai. Não mais se tratava do destino, em ambos os sentidos.
Lembrei dos meus momentos mais remotos. Lembrei dos meus momentos mais recentes. Percebei, enfim, essa minha enorme falta de jeito.
Iria sem dar tchau, como já era de se esperar. Mesmo assim, posso dizer que fui companheiro. Arteiro e companheiro.
Sorri com quem precisou, chorei com quem magoei. Entreti e fui entretido. Beijei por prazer e beijei por amor.
Bem, muito mais por prazer do que por amor, mas amei dar prazer para quem teve prazer em me amar.
Nesse tempo todo eu fui carinhoso e sincero. Apoiei para ser apoiado, e apoiei por puro interesse. Seja lá a quem interessasse.
Fiz trocadilhos idiotas e textos sem sentido.
Parei para pensar no bem e no mal e toda aquela velha conversa que cerca os mistétios do desconhecido. Não quis muito criticar aquela famosa "essência" do ser humano. Esse ser egoísta e sanguinário.
Lembrei também de toda a diversão e o tempo jogado fora. De todas as minhas 12 profissões e amigos esquecidos pelo mesmo tempo que não dei bola. Mas amei cada um como haviam ensinado.
Fui.
Um ótimo mentiroso.
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Foto e texto, Fastolf.b

Cresci sabendo que referências e exemplos são, em total, situacionais.
Tudo muda o tempo todo. Tendências são seguidas e histórias são contadas.
Aos pouco descobri que olhar para dentro poderia ser uma saída.
Assim passei a acreditar que sou nada mais do que um pouco de tudo o que vivi. Nada mais do que tudo o que vi e ouvi.
É engraçado pensar em ser o que é. Engraçado saber o que te faz ser o que é.
Analisei com lupa e pinça o caminho dos melhores. Coloquei em mim a ambição de quebrar a barreira do possível, de passar o limite do alcançável, de desbravar o impensável.
Pensei até em desistir. Mas agora sei que posso.
Lembro de momentos remotos da minha infância recente. Lembro de ser igual e diferente.
Cresci como todos, aprendi como todos. Nada me faz melhor do que os outros.
Mas o que eu vi esse tempo todo é o que me leva mais longe.
Referências eu tive, exemplos eu busquei, ídolos aos montes.
Herói só tenho um.
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Fotos by Mercedes Gameiro, foto das fotos e texto de Fastolf.b

Lembrei de ver uma menina quieta, com uma falsa timidez, sentada no banco de tras de um ônibus lotado. Cheio de gente maluca, gritando uns aos outros, correndo para la e para ca, falando sobre coisas que não fazia muita questão de saber o que.
Não lembro bem em qual ouvido Renato soprava, se em seus ou em meus, mas lembro de uma historia de assassinato que também nao estava perto de me interessar.
Curioso mesmo era aquela menina que acabava de descobrir como parte da família, segurando um livro que passava por um belo par de oculos até chegar em seus olhos entretidos.
A vi, de uma vez só, em varios bons momentos da minha memória. Ao mesmo tempo.
A encontrei sem querer em uma foto ruim, largada em uma gaveta empoeirada e encaixotada junto a tantas outras lembranças. Portava um sorriso gigante, cravado em seu rosto de uma orelha à outra. Aquela mesma menina do onibus, em diferentes formas e tamanhos. E me trouxe outro, um sorriso de até, quem sabe, mesma intensidade. Cabelos compridos, que tinha até esquecido que usava, e uma blusa azul clara que a destacava entre todos os primos que corriam cima a baixo em um hotel prestes a presenciar o caos.
Não lembro direito o que foi que transformou uma viagem de família em visitas diarias na parte da tarde.
Lembro sim de me forçar a partir e lembrar de não esquecer tudo o que tinha para falar na proxima visita, ja que o nosso tempo juntos nunca era o suficiente. Visitas diarias na capital ou no litoral. Passeios a beira-mar, conversas e mais conversas.
Assim como tudo que é bom, lembro de perdê-la com muito mais facilidade do que lembro de encontrá-la.
Mas como deveria ser qualquer outra lembrança, é aquela de me sentir importante, olhando com orgulho em um dos seus mais belos momentos. Pelo menos entre os capturados por meus olhos. Me senti importante só por estar presente, quanto mais em um evento memorável, talvéz, para a vida inteira. Sem perceber que a perderia de novo nos momentos seguintes.
Sem perceber também, a achei. Achei e não percebi. Dividiamos o mesmo espaço físico todos os dias, das treze e trinta às quinze e cinquenta. Em ponto. As nossas grandes conversas não mais passavam de um beijo de oi. As vezes um beijo de tchau.
Já estava perdida antes mesmo de encontrar.
Sem querer, aqui, de novo, está voce. Onde eu possa ver. Mais longe do que nunca, mas mais perto do que estavamos acostumados a ter. Isso é bom. É bom?
Lembrei de tudo isso com muita saudade. Saudade de mim, saudade de você.
Alegria em todas as lembranças.
Lembraças que me indicam que na verdade, mesmo, não vou perdê-la. Já que só a encontrei uma vez.
Você nunca partiu.
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Foto antiga e texto velho, Fastolf.b

Assumo que pensei, por vários momentos, que tudo pudesse ser um pouco mais engraçado. Quem sabe até um pouco mais profundo, com aquele tom de suspiros que sonho até hoje em arrancar.
Disse que batia o pé contra toda essa melancolia, esse tom azul que insiste em reinar. Bem, melancolia sempre me lembrou o verde.
Mas o que mais sinto falta são das cores de guitarras distorcidas solando até o limite entre meus dedos e o botão do som, as palavras inesperadas que diziam extamente o que queria ouvir, e quem sabe até de tudo que nunca consegui entender e, mesmo assim, prefiro achar que seja algo realmente importante.
Me lembro com saudade de uma época que não pude viver. Quando se falava o que ningúem havia falado. Quando se pensava em algo que ninguém havia pensado.
Pergunto com frequência em que ponto eu poderia mudar o mundo. Acabei ouvindo o que não queria:
"Meu filho, você nasceu nos anos 80!"
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Foto e texto por Fastolf Brambel

Eu não aprendo.
Nego. Até hoje digo que não.
Minha mãe diz que sou teimoso feito uma porta. Até acredito que tenha razão, não vejo tanta teimosia em algo que ora feche, ora abra, dependendo exclusivamente da vontade de seu usuário. Tá aí, bela definição. Sinto-me usado pelas mulheres de minha vida. Jantares, velas, massagens, passeios, carinhos. Tudo o que tem direito àquela que me faz sorrir.
Me entrelaço, me duvido, me confundo. Faço de todas um pouco de mim mesmo. Não parto de mãos abanando, já que de muita serventia espero que possam ser.
Acabo, sem querer, desejando um pouco mais do que posso ter. Mas o que é mais do que posso ter? O que é ter, já que nada mais que um pouco de seu calor levo de herança de toda esta endorfina que faz circular entre meu bom senso e meu instindo animal?
Sonho com aquela que apenas posso olhar. Não, sonho com aquela que nem posso olhar, assim posso sonhar.
No fundo, no fundo, queria poder acordar.
Acordaria para dizer que, na verdade, quando fecho os olhos vejo apenas você.
E nego até hoje. Não aprendo, digo que não.
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Foto e texto por Fastolf.b

Essa noite sonhei com você. Aquele seu jeito doce de gargalhar e tocar minha mão.
As vezes acho que sinto sua falta. Ficar achando espaço entre suas teorias e outras para dizer, meio sem jeito, que preciso desligar. Gostava mais era de como me olhava quando passava horas em silêncio, pensando em algo legal para te falar. Ta bom, minutos. Segundos, mas eu tinha uma enorme pressa em te impressionar. Não convencia, e era exatamente isso que você via em mim.
Foi de propósito que colocou seus pés gelados em minhas coxas quentes. Que se envolveu em edredons e me olhou sorrindo. Foi de propósito que chorou toda vez que te olhei com pena, ou te franzi a testa.
Não quero sentir o seu gosto no cheiro de café. Não quero ouvir sua voz em um cinema vazio, muito menos sentir o seu cheiro em uma manha de um inverno qualquer. Queria desprender meus pensamentos dos seus. Dizer que olhar não é mais o meu hobby favorito.
Mas queria mesmo é que fosse verdade. Que vivesse além de em minha imaginação.
My fake plastic love.
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Texto e foto por Fastolf.b
