
Lembrei de ver uma menina quieta, com uma falsa timidez, sentada no banco de tras de um ônibus lotado. Cheio de gente maluca, gritando uns aos outros, correndo para la e para ca, falando sobre coisas que não fazia muita questão de saber o que.
Não lembro bem em qual ouvido Renato soprava, se em seus ou em meus, mas lembro de uma historia de assassinato que também nao estava perto de me interessar.
Curioso mesmo era aquela menina que acabava de descobrir como parte da família, segurando um livro que passava por um belo par de oculos até chegar em seus olhos entretidos.
A vi, de uma vez só, em varios bons momentos da minha memória. Ao mesmo tempo.
A encontrei sem querer em uma foto ruim, largada em uma gaveta empoeirada e encaixotada junto a tantas outras lembranças. Portava um sorriso gigante, cravado em seu rosto de uma orelha à outra. Aquela mesma menina do onibus, em diferentes formas e tamanhos. E me trouxe outro, um sorriso de até, quem sabe, mesma intensidade. Cabelos compridos, que tinha até esquecido que usava, e uma blusa azul clara que a destacava entre todos os primos que corriam cima a baixo em um hotel prestes a presenciar o caos.
Não lembro direito o que foi que transformou uma viagem de família em visitas diarias na parte da tarde.
Lembro sim de me forçar a partir e lembrar de não esquecer tudo o que tinha para falar na proxima visita, ja que o nosso tempo juntos nunca era o suficiente. Visitas diarias na capital ou no litoral. Passeios a beira-mar, conversas e mais conversas.
Assim como tudo que é bom, lembro de perdê-la com muito mais facilidade do que lembro de encontrá-la.
Mas como deveria ser qualquer outra lembrança, é aquela de me sentir importante, olhando com orgulho em um dos seus mais belos momentos. Pelo menos entre os capturados por meus olhos. Me senti importante só por estar presente, quanto mais em um evento memorável, talvéz, para a vida inteira. Sem perceber que a perderia de novo nos momentos seguintes.
Sem perceber também, a achei. Achei e não percebi. Dividiamos o mesmo espaço físico todos os dias, das treze e trinta às quinze e cinquenta. Em ponto. As nossas grandes conversas não mais passavam de um beijo de oi. As vezes um beijo de tchau.
Já estava perdida antes mesmo de encontrar.
Sem querer, aqui, de novo, está voce. Onde eu possa ver. Mais longe do que nunca, mas mais perto do que estavamos acostumados a ter. Isso é bom. É bom?
Lembrei de tudo isso com muita saudade. Saudade de mim, saudade de você.
Alegria em todas as lembranças.
Lembraças que me indicam que na verdade, mesmo, não vou perdê-la. Já que só a encontrei uma vez.
Você nunca partiu.
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Foto antiga e texto velho, Fastolf.b

Nem tá tão cheio de erro.
Será que eu posso falar?
Eu lembro que nos meus olhos de mãe, esta era uma convivência que eu amava saber. Era um menino genial conversando todos os dias com uma menina genial. Um encontro de primos de DNAs diversos, mas de espíritos idênticos. E me fazia bem.
Eu assisti o afastamento com pesar.Vi um muro sendo levantado entre pessoas que nunca deveríam se afastar e fiquei triste. Depois parece que a vida foi levando cada um para mais longe do outro, mas eu sempre soube que alguns encontros na vida são eternos. São almas que se encontram. Encontros de almas não são banais como os carnais, nem efêmeros, nem insignificantes. And mosto of all, encontros de almas têm tempo e paciência. Seus donos se afastam e as alminhas sentan-se calmamente para esperar o reencontro, que é certo! Não há como separar quem já se encontrou!
Beijos aos dois amados!
E só pra lembrar: as verdadeiras famílias nem sempre vivem sob o mesmo teto.
só mesmo sua brilhante capacidade para me fazer interessar por um fotolog e até me emocionar lendo. Encontrando palavras tão próximas das que vivi e respirei na infância.
A distância. O tempo e o espaço. Nada disso é realmente alguma coisa quando comparados aos laços que realmente unem num mistério infinito de destino e saudade.
abraço com saudades!
Nenhum muro é inquebrável...
Obrigada, amo vc.
Preciso dizer que vc é assim... vc é intenso, é profundo, é presente... de repente, do nada, pro nada e por nada, vc desaparece, por longo tempo... Lembro disso algumas vezes...
Esse é vc... e é essa saudade, de saber que tudo o que vc diz, que toda o seu sentimento e toda a sua amizade são verdadeiros é que te faz voltar... É que te faz ligar perguntando: "qual é mesmo o n.º que eu esqueci? abre pra mim que eu tô aqui embaixo"...
Esse é vc... um espírito lindo, uma amizade eterna, um sentimento sincero!
nada de corrigir, nada melhor q a espontaneidade
vem ca, novidades de novo?! o q vem agora?! =)
to respondendo seu email agorinha
lembrei muito de vc ontem, ja ja te conto